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|  | ontem assisti ao documentário, compilação de shorts, Bem-vindo a São Paulo:
(dum link) Bem-vindo a São Paulo Cineastas do mundo todo registram em curta sua percepção da cidade 20/09/2007Marcelo Hessel
Na sua 28a. edição, em 2004, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibiu o resultado de um projeto incomum: a capital paulista vista pelas lentes de cineastas convidados do mundo todo. Três anos depois, às vésperas de mais uma Mostra, Bem-vindo a São Paulo (Welcome to São Paulo) chega ao circuito comercial.
São 17 segmentos distintos, com temas e metragens bastante díspares em alguns casos, mas com traços em comum. Dá pra dizer que o estrangeiro repara, antes de mais nada, naquilo que São Paulo tem de mais estereotipada: a sensação de que não pode nunca parar. Os cineastas que se aprofundam no olhar chegam numa consequência dessa pressa: a existência de uma cidade, dentro de outra, que não consegue acompanhar o passo da metrópole.
Há os que traçam esse retrato pela via turística: no segmento "Ensaio Geral", o palestino Hanna Elias (A Colheita das Olivas, 27a. Mostra) registra a pulsação constante que é uma noite na Vai-Vai; em "Fartura", a mexicana Mercedes Moncada e o venezuelano Franco de Peña (O Futuro de uma Ilusão, 21a.; Amor em Concreto, 27a.; Seu nome é Justine, 29a.) captam a cidade que não dorme na agitação dos feirantes. Peculiar, o breve segmento dirigido pelo australiano Phillip Noyce (Geração Roubada, 27a. Mostra), "Marco Zero", combina o turístico com o comentário social em plena Praça da Sé.
O filmete de Noyce, antes dos outro, o que abre o filme, já captura um descompasso no frenesi da cidade: enquanto turistas e estudantes fotografam e ouvem a aula de história dentro da Catedral da Sé, do lado de fora um evangélico é rodeado de ouvintes. A pregação, ironicamente, acontece fora da igreja, como se a instituição, sintetizada na catedral, tivesse parado no tempo. Em plena praça, o tempo não pára. Rodas de curiosos se desfazem com a mesma velocidade com que se juntaram. É um esforço de reconstrução de identidade constante, coisa que os brasileiros listados em Bem-Vindo a São Paulo (o organizador Leon Cakoff assina dois segmentos e Caetano Veloso faz a narração) também apontam, seja com imagens (as pessoas que visitam uma expo de fotografias de época) seja com memória (os nomes indígenas resgatados por Caetano).
Outros cineastas, mais explicitamente do que Noyce, como o italiano Andrea Vecchiato (Luminal, 27a.) no segmento "Formas", notam a arritmia de São Paulo por meio da arquitetura. O estadunidense Jim McBride (júri da 27a.), que já morou na cidade nos anos 60, se detém em "Novo Mundo" em olhar para as fachadas que pararam na primeira metade do século XX, geminadas muitas vezes com casas que se reconstruíram e se descaracterizaram mais de uma vez. A obsessão com arquitetura é uma constante nos filmes do taiwanês Tsai Ming-Liang (O Rio, 21a.; Vive L'Amour, 23a.; Adeus, Dragon Inn, 27a.; Nuvens Carregadas, 29a.; Eu não Quero Dormir Sozinho, 30a.), e no segmento "Aquário" ele encontra no condenado edifício São Vito um painel rico de estudo.
Deter-se nos objetos às vezes não é suficiente para entendê-los - metrópole digna de videoclipes, São Paulo também se revela por aquilo que se acumula diante de nós em fast-forward. Assim são os segmentos do espanhol Max Lemcke, do alemão Wolfgang Becker (Borboletas, 18a.; Jogos de Criança, 18a.; A Vida é Tudo que temos, 21a.; Adeus, Lênin, 27a.) e da carioca Daniela Thomas (O Primeiro Dia, 23a.; Terra Estrangeira, 29a.). Uma cidade em constante trânsito pode ter identidade? Em "Modernidade", o israelense Amos Gitai, veterano de Mostra que ganhou retrospectiva na 28a., chega a filmar trechos de seu segmento em pleno aeroporto... Resumo melhor do que representa São Paulo não deve haver.
Paulistana nascida , crescida e voluntáriamente "retornada" após longo "exílio" , assisti com muita ansiedade o que o olhar estrangeiro haveria de dizer sobre essa minha cidade (e agora me aproprio)...
assitir ao filme no espaço unibanco, situado em plena Augusta, onde uma linda população homossexual colore e estiliza minha cidade...começava já o encanto por aí...
o filme na realidade tratou mais da grandeza física do que da grandeza do desenvolvimento. Num dos episódios São Paulo começa numa velocidade incrivel, carros, pessoas , aviões tudo passando absurdamente rápido, e depois, ao colocar de uma agulha num vinil que toca "sampa" de caetano, as coisas começam a movimentar-se no ritmo real do paulistano, que , cá entre nós não é nada rápido...não há lugar nessa cidade para ser rápido: o transito é demasiado, portanto lento, os trajetos muito compridos , portanto lentos, as ruas entupidas , portanto de dificil locomoção, habitações verticais, dificil e lento o acesso ao "apertamento".
Gostei de ver alguns "retratos" apontando aquilo que tambem sinto, os ambulantes, os milhões de cartazes, os neons, demasiada informação, falta de amplitude de visão, fios , fios e fios. Os frames de quase todos os filmes eram atravessados pelos fios...Sem fio, sem São Paulo.
Tambem via-se o impacto da Lei Cidade Limpa, que retirou de sampa os Bilboards já emblemáticos...devo dizer , como fotógrafa que a cidade perdeu os seus milhoes de cartões postais gigantescos e imagéticos...perdeu um sem fim de marcas registradas...
Críticas?? nem sei...difícil criticar, São Paulo é feia, é disforme, é truncada São Paulo é maravilhosa.
beijos paulistanos e uma foto da foto paulistana que tirei hoje...
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R. Paulo Gontijo de Carvalho - lugar especial... |
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